barbies sempre foram seu brinquedo predileto.
ela adorava aquela sensação de onipotência que ela só alcançava num mundo todo construído por ela, onde todos só faziam o que ela queria.
ela adorava construir esses mundos, para depois destruí-los na hora de dormir e construir um novo no dia seguinte.
construir e destruir. e o mais importante: só ela tinha esse poder quando se tratava das suas bonecas.
ali, naquele pequeno universo onde todos os móveis são cor-de-rosa, ninguém podia fazer nada contra a vontade daquela menina. alguém só ia embora se ela deixasse.
diferente do "mundo de verdade" (isso era o que a mãe dela dizia. pra ela, "de verdade" era aquilo que ela podia controlar.), onde as pessoas podiam simplesmente partir, sem dar nenhuma explicação e sem perguntar a opinião dela.
ali, aquela mocinha tão novinha, podia ter certeza que não ia errar. aquele era o mundo dela, com as regras dela. se ela errasse, suas barbies iam continuar a amá-la, e nem iam notar o seu erro. de novo, diferente do mundo real, onde ela tinha certeza que o que tinha acontecido era sua culpa. ela só queria entender o que ela fez de errado.
e o mais importante era poder guardar aquelas pessoas que ela criava e descriava numa caixa, de onde ela sabia que elas não iam sair sem ela saber. nenhuma surpresa, nada inesperado. tudo sob controle, conforme o que ela havia planejado.
ela era feliz nesse mundo.
um dia, a mãe dela resolveu que ela já estava crescida e deu todas as suas barbies pros pobres.
a partir daí, a menina nunca mais teve controle de nada. e aprendeu que era assim que tinha que ser.
E descobriu, assim, que viver é muito melhor...
ResponderExcluirdói muito mais tb.
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